Úlcera varicosa: por que a ferida na perna não cicatriza

A úlcera varicosa é uma ferida aberta que pode permanecer por meses ou anos, mesmo com a troca frequente de curativos e o uso de pomadas. Em alguns casos, a lesão apresenta melhora temporária, aproxima-se do fechamento e volta a abrir após determinado período.

Essa evolução costuma ocorrer quando o cuidado se concentra apenas na ferida, sem controlar a alteração circulatória responsável pelo problema. A úlcera varicosa não é exclusivamente uma doença de pele, mas uma manifestação avançada da doença venosa crônica.

Neste guia, Dr. João Maffei, Angiologista e Cirurgião Vascular em São Paulo, explica por que a lesão pode permanecer aberta, quais medidas favorecem a cicatrização e como o tratamento da doença venosa contribui para reduzir o risco de recorrência.

Úlcera varicosa: por que a ferida na perna não cicatriza

O que é a úlcera varicosa

A úlcera varicosa é uma ferida aberta que costuma surgir próxima ao tornozelo, principalmente na face interna da perna. Também chamada de úlcera venosa ou úlcera de estase, ela está entre as causas mais frequentes de feridas crônicas nos membros inferiores.

O que diferencia a úlcera varicosa de um machucado comum é a sua origem. A lesão não decorre apenas de um trauma externo, mas da pressão persistente provocada pelo comprometimento do sistema venoso. Por isso, a cicatrização não ocorre da mesma forma que em uma ferida aguda.

A Cleveland Clinic descreve a úlcera varicosa como uma lesão que tende a permanecer aberta enquanto a hipertensão venosa responsável por sua formação não for controlada. Esse mecanismo explica os períodos de melhora, fechamento parcial e reabertura da ferida.

Compreender essa origem modifica a condução do tratamento, que deixa de se concentrar apenas na superfície da lesão e inclui a avaliação da circulação venosa responsável por sua manutenção.

Como a insuficiência venosa impede a cicatrização

A dificuldade de cicatrização ocorre porque as válvulas das veias deixam de funcionar adequadamente. Com isso, parte do sangue retorna e se acumula na região inferior da perna, em vez de seguir o fluxo normal em direção ao coração.

Essa pressão contínua sobre os tecidos compromete a microcirculação da pele e reduz a oferta de oxigênio e nutrientes necessários para reparar a lesão. Dessa forma, a úlcera varicosa pode apresentar melhora parcial, mas não completa todas as etapas da cicatrização.

O curativo protege a área e auxilia no controle local da ferida, mas não corrige a alteração circulatória. Enquanto a pressão venosa permanecer elevada, a úlcera varicosa pode fechar parcialmente e voltar a abrir, mesmo após diferentes tentativas de tratamento.

A insuficiência venosa crônica é a doença que mantém a ferida na perna que não cicatriza. Por isso, o cuidado local deve ser associado à avaliação vascular e ao controle do refluxo venoso responsável pela lesão. Buscar a orientação de um Cirurgião Vascular permite investigar a origem da ferida e definir uma conduta direcionada à causa. 

Consulta com Cirurgião Vascular em São Paulo

Alterações na perna que antecedem a ferida

A úlcera varicosa costuma ser precedida por alterações progressivas provocadas pela insuficiência venosa crônica. Esses sinais podem surgir ao longo dos anos e indicam que a pressão elevada nas veias já está comprometendo a pele e os tecidos da região próxima ao tornozelo.

Entre as manifestações que podem aparecer antes da ferida, estão:

  • Inchaço no fim do dia, com melhora incompleta após o repouso.
  • Sensação de peso e cansaço nas pernas, principalmente ao anoitecer.
  • Coceira, irritação e ressecamento da pele próxima ao tornozelo.
  • Escurecimento da pele, chamado de dermatite ocre, caracterizado por manchas acastanhadas.
  • Endurecimento do tecido, conhecido como lipodermatosclerose, que pode deixar a região rígida e espessada.
  • Abertura da ferida após uma batida, um arranhão ou outro trauma de pequena intensidade.

A dermatite ocre e a lipodermatosclerose indicam comprometimento avançado dos tecidos e maior risco de desenvolvimento da úlcera varicosa. Diante dessas alterações, a avaliação com um Cirurgião Vascular permite investigar a circulação e definir medidas para reduzir a progressão da doença.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da úlcera varicosa exige a análise da ferida e a investigação da circulação venosa. Avaliar somente a lesão permite reconhecer suas características, mas não identifica o mecanismo que mantém a pressão elevada nos tecidos e dificulta a cicatrização.

Exame clínico

Durante o exame clínico, o Cirurgião Vascular observa a localização, a profundidade, as bordas, o leito e a pele ao redor da ferida. A úlcera venosa costuma surgir próxima ao tornozelo e pode estar acompanhada de inchaço, varizes, escurecimento e endurecimento da pele.

Essas características ajudam a diferenciar a lesão de feridas causadas por alterações arteriais, neuropatias, infecções ou doenças inflamatórias. O histórico de evolução, a presença de dor, o tempo de abertura e os tratamentos já realizados também contribuem para a definição diagnóstica.

Eco-Doppler venoso

O Eco-Doppler venoso avalia o fluxo sanguíneo e identifica quais veias apresentam refluxo ou obstrução. O exame também permite determinar a extensão do comprometimento e verificar se o problema envolve veias superficiais, profundas ou os dois sistemas.

Essas informações orientam o planejamento do tratamento da úlcera varicosa, por mostrarem qual alteração circulatória precisa ser controlada. Sem esse mapeamento, a conduta pode se limitar à ferida e deixar sem tratamento a pressão venosa responsável por sua persistência.

Investigação de outras causas

Feridas nas pernas também podem ter origem arterial, neuropática, infecciosa ou estar associadas ao diabetes. Cada mecanismo exige uma abordagem específica, e a aplicação de compressão ou de outros tratamentos sem avaliação adequada pode agravar determinadas condições.

O National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI) relaciona as formas avançadas da doença venosa crônica a alterações como inchaço, mudanças na coloração da pele e formação de feridas. Essa progressão reforça a importância de identificar corretamente a origem da lesão antes de definir a conduta.

A confirmação da causa permite tratar a ferida e a doença vascular que sustenta sua evolução, tornando o cuidado mais completo. Diante de uma lesão persistente, a avaliação com um Cirurgião Vascular é indicada para esclarecer o diagnóstico e orientar o tratamento da úlcera varicosa.

Avaliação com Cirurgião Vascular em São Paulo

Como a úlcera varicosa é tratada

O tratamento da úlcera varicosa deve atuar sobre a ferida e sobre a alteração circulatória que dificulta sua cicatrização. A conduta costuma reunir compressão, cuidados locais, tratamento do refluxo venoso e medidas que favorecem o retorno do sangue das pernas ao coração.

Terapia compressiva

A compressão é um dos principais pilares do tratamento, pois reduz a pressão venosa e o acúmulo de líquido nos tecidos. A bota de Unna e as meias de compressão podem ser indicadas conforme as características da ferida, a circulação arterial e as condições clínicas do paciente.

A intensidade e o tipo de compressão devem ser definidos após avaliação vascular. O uso inadequado pode causar desconforto ou agravar feridas de outras origens, especialmente quando existe comprometimento arterial associado.

Cuidados locais com a ferida

A limpeza, a proteção da pele ao redor e a escolha do curativo dependem da profundidade, da quantidade de secreção e das condições do leito da lesão. Esses cuidados ajudam a controlar o excesso de umidade, remover tecidos inviáveis e criar um ambiente favorável à cicatrização.

A presença de secreção não significa, isoladamente, que exista infecção. Antibióticos são considerados quando há sinais clínicos compatíveis, como aumento da dor, vermelhidão progressiva, calor local, secreção purulenta ou comprometimento sistêmico.

Tratamento da veia comprometida

O tratamento da veia responsável pelo refluxo reduz a pressão mantida na úlcera varicosa aberta. Conforme o mapeamento venoso, podem ser considerados procedimentos como escleroterapia com espuma, laser endovenoso ou outras técnicas indicadas pelo Cirurgião Vascular.

Ao controlar a origem da hipertensão venosa, essas intervenções podem favorecer o fechamento da lesão e reduzir o risco de recorrência. A técnica escolhida depende da anatomia das veias, da extensão da doença e das condições clínicas identificadas durante a investigação.

Elevação das pernas e caminhada

Elevar as pernas em períodos determinados ajuda a diminuir o inchaço e facilita o retorno venoso. A caminhada também ativa a musculatura da panturrilha, que funciona como uma bomba auxiliar e impulsiona o sangue em direção ao coração durante o movimento.

Essas medidas complementam o tratamento, mas devem respeitar as limitações clínicas do paciente. A frequência das caminhadas, o tempo de elevação e outras orientações precisam ser adaptados à presença de dor, mobilidade reduzida ou doenças associadas.

A bota de Unna combina compressão inelástica e proteção da ferida, sendo utilizada em casos selecionados durante o processo de cicatrização. Como não corrige isoladamente a veia comprometida, a avaliação com um Cirurgião Vascular permite integrar o cuidado local ao tratamento da causa e estabelecer uma conduta adequada para cada etapa.

Tratamento para úlcera varicosa com Cirurgião Vascular em São Paulo

Condutas que podem atrasar a cicatrização

Alguns hábitos podem prolongar a ferida na perna que não cicatriza e dificultar a resposta ao tratamento. Entre os erros mais frequentes, estão:

  • Aplicar pomadas sem orientação ou utilizar receitas caseiras, como açúcar, borra de café e folhas diretamente sobre a ferida.
  • Manter a perna pendente durante longos períodos, favorecendo o aumento da pressão venosa na região.
  • Interromper a compressão por desconforto, retirando uma das principais medidas utilizadas para controlar a hipertensão venosa.
  • Suspender o acompanhamento assim que a ferida fecha, sem manter as medidas necessárias para reduzir o risco de recorrência.
  • Adiar a avaliação por meses na expectativa de melhora espontânea, prolongando a exposição a infecções e outras complicações.

Evitar essas condutas faz parte do tratamento da úlcera varicosa. A adesão às orientações, o uso correto da compressão e o acompanhamento vascular contínuo contribuem para a cicatrização e para a prevenção de novas feridas.

A úlcera varicosa tem cura?

A úlcera varicosa pode cicatrizar quando o tratamento reúne compressão, cuidados locais, controle do refluxo venoso e medidas que favorecem a circulação. O tempo necessário varia conforme a extensão da lesão, as condições clínicas e a adesão às orientações.

O principal desafio após o fechamento é evitar a recorrência. Quando o cuidado se limita à ferida e a alteração venosa permanece ativa, a úlcera varicosa pode voltar a abrir, pois a pressão responsável pelo comprometimento dos tecidos continua presente.

Por isso, a cicatrização não deve ser considerada o encerramento do tratamento. Corrigir o refluxo quando houver indicação, manter a compressão orientada e realizar acompanhamento vascular são medidas fundamentais para reduzir o risco de reabertura e preservar o resultado alcançado.

O fechamento da ferida representa uma etapa importante, mas a prevenção de novas lesões depende do controle contínuo da doença venosa. A avaliação com um Cirurgião Vascular permite definir as medidas necessárias para manter a cicatrização e reduzir o risco de recorrência.

Sinais de alerta que exigem avaliação vascular

Alguns sinais indicam que a avaliação não deve ser adiada. A úlcera varicosa de longa duração pode apresentar infecção e, raramente, alterações suspeitas nas bordas da lesão, especialmente quando permanece aberta por anos ou modifica seu aspecto.

É importante procurar atendimento diante de situações como:

  • Ferida aberta na perna por mais de duas semanas.
  • Aumento da dor, vermelhidão ao redor da lesão ou secreção com odor.
  • Febre associada à presença da ferida.
  • Lesão que havia cicatrizado e voltou a abrir.
  • Mudança na aparência, no tamanho ou nas bordas da ferida.

Esses sinais podem indicar complicações ou necessidade de reavaliação da causa vascular. Diante de uma úlcera varicosa persistente, recorrente ou com mudança de aspecto, a avaliação com um Cirurgião Vascular permite investigar o quadro e definir a conduta adequada sem prolongar a evolução da lesão.

Agendar a sua avaliação vascular em São Paulo

Avaliação da úlcera venosa com o Dr. João Maffei

O tratamento da úlcera varicosa exige investigar a insuficiência venosa que mantém a pressão sobre os tecidos, além de cuidar diretamente da lesão. Essa abordagem favorece a cicatrização e reduz o risco de a ferida voltar a abrir após o fechamento.

O Dr. João Maffei atua em Angiologia e Cirurgia Vascular em São Paulo. Sua formação inclui especialização em Cirurgia Geral, Angiologia e Cirurgia Vascular pela Faculdade de Medicina do ABC e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular pela Santa Casa de São Paulo (CRM-SP 97736 I RQE 27653 I RQE 27652).

A avaliação considera o aspecto da ferida, o tempo de evolução, as alterações da pele e a circulação dos membros inferiores. A investigação da insuficiência venosa é realizada por meio de exame clínico detalhado e, quando necessário, exames complementares para definir a melhor estratégia de tratamento da veia comprometida.

Além disso, a abordagem da úlcera varicosa pode associar terapia compressiva, cuidados locais e tratamento do refluxo venoso, conforme as características de cada caso. O acompanhamento também é necessário após o fechamento para reduzir o risco de recorrência.

Agende a sua avaliação

Feridas persistentes ou que voltam a abrir precisam ser investigadas para que o cuidado não permaneça restrito à superfície da lesão.

Para compreender a causa da úlcera varicosa e conhecer as opções de tratamento, marque uma avaliação vascular com o Dr. João Maffei.

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

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Conteúdo atualizado em 2026.

João Paulo Maffei Junior I Angiologia e Cirurgia Vascular I CRM-SP 97736 I RQE 27653 I RQE 27652

FAQ – Dúvidas frequentes sobre Úlcera varicosa: por que a ferida na perna não cicatriza

1. Quanto tempo demora para uma úlcera na perna cicatrizar?

Depende de a veia responsável ter sido corrigida ou não. Com o tratamento completo, a cicatrização ocorre em semanas a meses; só com curativo, a ferida tende a não fechar de forma duradoura.

2. Por que a ferida da minha perna não fecha nunca?

Porque o tratamento age sobre a ferida, e não sobre a veia doente que a mantém. Enquanto o refluxo venoso sustenta a pressão na perna, a lesão fecha e volta a abrir.

3. Bota de Unna dói e funciona mesmo?

A bota de Unna não costuma doer e é um dos pilares do tratamento. Ela combina compressão e proteção da ferida, favorecendo a cicatrização enquanto a veia é tratada.

4. Úlcera na perna pode virar câncer de pele?

É raro, mas uma úlcera de longa evolução e não tratada pode sofrer transformação maligna na borda. Por isso, uma ferida que persiste por anos ou muda de aspecto precisa ser avaliada.

5. Qual médico trata ferida aberta na perna?

O cirurgião vascular, quando a causa é venosa. Ele investiga a veia responsável com eco-Doppler e trata o refluxo, além de conduzir a compressão e o cuidado da ferida.

6. Úlcera venosa volta a abrir depois de cicatrizada?

Volta com frequência quando apenas a ferida é tratada e a veia doente permanece. Corrigir o refluxo é o que reduz de forma significativa o risco de recidiva.

7. Posso tomar banho com o curativo?

Depende do tipo de curativo e da orientação da equipe. Alguns são impermeáveis e outros precisam ser protegidos. A instrução correta é dada na consulta conforme o estágio da ferida.

8. Pomada cicatrizante resolve úlcera venosa sozinha?

Não. A pomada atua na superfície, mas não corrige a pressão que vem da veia doente. Sem tratar o refluxo e sem compressão, a úlcera varicosa tende a não cicatrizar.

9. Tratar a veia com laser faz a úlcera fechar?

O laser endovenoso corrige o refluxo da veia doente, acelerando a cicatrização e reduzindo a recidiva. Ele integra o tratamento junto da compressão e do cuidado da ferida.

10. Úlcera na perna com cheiro forte é sinal de infecção?

O odor, associado a dor crescente, vermelhidão ao redor e secreção, sugere infecção e exige avaliação rápida. Não é um sinal para ser observado em casa por conta própria.

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